Pigmentos
- A Alma da Tinta
Todas as tintas
para artes plásticas são formadas por,
basicamente, duas coisas: O Pigmento e o Veículo.
No caso de tintas a óleo, este veículo geralmente
é um refinado óleo de linhaça, mas também
existem tintas a óleo cujo veículo é o óleo de
girassol, de papoula, ou outros. De qualquer modo,
sua secagem se dá por oxidação, um processo
extremamente lento, característico das tintas a óleo.
As tintas acrílicas,
por sua vez, possuem como principal veículo uma
emulsão polimérica, algo como uma
"resina", e cuja secagem ocorre por
evaporação, o que a torna muito mais rápido que o
óleo.
Naturalmente que
os fabricantes de tintas se preocupam em desenvolver
e aprimorar estes veículos, que, como próprio nome
diz, "carregam" a tinta, mas a tecnologia
neste setor tem crescido significativamente no que
se refere ao descobrimento de novos PIGMENTOS.
Sintéticos, não-tóxicos,
menor custo são algumas das vantagens oferecidas ao
artista plástico nestes últimos anos. Por considerá-los
a ALMA das tintas, e um tanto quanto desconhecido
por grande parte dos artistas plásticos, essa
informação pretende, modestamente, citar
curiosidades, entrar um pouco na história e na química
deste universo de cores.
Nota:
Vale observar que o nome técnico, o índice de cor
nome, o grau de fugitividade, o grau de opacidade e
a toxicidade são informações obrigatórias nos rótulos
das tintas comercializadas nos EUA. Infelizmente, as
tintas nacionais não se preocupam em fornecer
explicitamente estas informações aos artistas.
Esclarecendo:
Em relação a classificação dos pigmentos quanto
ao seu grau de fugitividade (ligthtfastness) segundo
a ASTM (American Society of Testing and Materials)
convenciona a categoria "1" - Excelente -
para os pigmentos sem nenhuma tendência fugitiva,
ou seja, sua cor não se altera quando exposto à
luz, passando a "2" o pigmento cujo
comportamento quando exposto à luz é considerado
"Muito Bom", "3" seria uma
qualificação regular e finalmente "4"
para os fugitivos. Como alguns fabricantes de tintas
classificam o grau de fugitividade por estrelas (*)
ou mesmo outro símbolo, pode ocorrer uma inversão
de valores àqueles com menor familiaridade com os
pigmentos. Assim, independente da marca da tinta, se
o pigmento utilizado for um vermelho de cádmio
verdadeiro (PR-108) este terá uma excelente resistência
a luz, ou seja, não irá "desbotar" com o
tempo, e dependendo do fabricante, terá no rótulo
a classificação "1" se este utilizar o
padrão da ASTM ou **** se ele convencionar que 4
(quatro) estrelas significa "excelente"
resistência a luz.
Pigmentos
Amarelos
Entre a
antiguidade e a era Medieval, a função principal
dos amarelos era imitar o OURO. Eram produzidos
através da bílis de peixe e outros animais, pedras
e extratos vegetais, todos, porém, com grande tendência
fugitiva. Como curiosidade, o genuíno amarelo
indiano era obtido através da mistura de urina de
vaca com lama. Hoje em dia, os pigmentos amarelos
mais usados são:
- Arylide Yellow 10G; (PY3); Grau
de fugitividade pela ASTM = 2 (muito bom); O amarelo de arilido é
pigmento sintético, orgânico, também conhecido como Hansa
Yellow Light ou (Mono) Azo Yellow. Produz um efeito transparente
esverdeado brilhante. Maior brilho, poder tintorial e croma do que
o equivalente cobalto inorgânico.
- Diarylide Yellow HR70; (PY83);
Grau de fugitividade pela ASTM = 1 (excelente); O amarelo de
diarilido é um pigmento sintético, orgânico, mais avermelhado,
transparente e resistente à luz que os inorgânicos e arilidos.
- Cadmium Yellow Light; (PY35);
Grau de fugitividade pela ASTM = 1 (excelente); O amarelo de cádmio-zinco
é sintético orgânico. Os de melhor qualidade são livre de bário,
apesar da ASTM permitir até 15% de adição de sulfato de bário.
Considerado tóxico. Também chamado de amarelo limão. Possui um
equivalente econômico (PY 35:1), a base de litopônios de cádmio.
Pigmento:
Amarelo de Nápolis (PY-41)
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
O verdadeiro amarelo de nápolis é um pigmento semi-opaco, sintético
inorgânico fabricado artificialmente desde o século XV. Devido ao
seu elevado custo e por ser altamente tóxico, a maioria dos
fabricantes de tintas utiliza misturas de óxidos de zinco, amarelo
ocre e outros para obter um efeito final similar (Hue).
Pigmento:
Amarelo de titânio-niquel (PY-53)
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
Desenvolvido na década de 60, trata-se de um pigmento de grande
estabilidade química e além de grande resistência a luz, também às
condições atmosféricas e ao calor.
Pigmento:
Amarelo Ocre (PY-42)
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
Também conhecido como amarelo de marte, ou amarelo óxido, por se
tratar de um óxido de ferro, sintético inorgânico, de boa
opacidade, além de econômico.
Pigmentos
Azuis
Os artistas de hoje podem contar
com uma seleção diversificada, brilhante e confiável de azuis. Um
dos mais antigos pigmentos azuis, o "azurite", proveniente
de um mineral azulado foi utilizado no Egito antigo, China e Japão e
se tornou marcante na arte Européia a partir do século XV.
Na era Medieval o azul de ultramar
se tornou preferido entre os artistas, apesar de seu elevado custo,
pois era extraído de uma pedra semi-preciosa denominada "Lapis
Lasule". Em 1830 é inventado na França o azul de ultramar
artificial, cuja produção foi um grande marco na história dos
materias artísticos.
Pigmento:
Azul de Ftalocianina (PB-15)
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
Inventado na Inglaterra em 1935, é um pigmento semi-transparente,
sintético orgânico, de grande poder tintorial e características
semelhantes ao azul da prússia, com a vantagem de ser mais
permanente.
Pigmento:
Azul da Prússia (PB-27)
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
Descoberto e desenvolvido entre 1704 - 1724, trata-se de um pigmento
transparente, sintético inorgânico, também é conhecido como azul
de paris, azul de ferro, azul da china e azul-bronze.
Pigmento:
Azul de Manganês (PB-33)
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
Um tom azul-anil, transparente, combinação de manganato com sulfato
de bário, trata-se de um pigmento sintético inorgânico que foi
colocado ao público a partir de meados do século XX, porém cuja
demanda não estimulou muitos fabricantes a produzí-lo.
Pigmento:
Azul de Cobalto (PB-28)
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
Decoberto na França em 1802, mas utilizado em pintura artística a
partir de 1820-1830. É um pigmento sintético, orgânico, formado
pela calcinação de óxido de cobalto e de alumínio. O verdadeiro
azul de cobalto é uma das cores mais caras, sendo muitas vezes
substituído por um tom do ultramar. É considerado um pigmento tóxico.
Pigmento:
Azul Ultramar (PB-29)
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
A observação de uma misteriosa cor azulada que aparecia encrustada
como impureza nas fornalhas onde se fabricava o carbonato de sódio
levou a descoberta quase que acidental deste pigmento, que foi lançado
comercialmente na França também por volta de 1830. É um sintético
inorgânico, não tóxico, e geralmente adiciona-se alguns
estabilizadores na produção da tinta a óleo para adquirir consistência
mais cremosa.
Pigmento:
Azul Cerúleo (PB-35)
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
Conhecido desde 1805, foi introduzido na Inglaterra por George Rowney
em 1870. É um composto de óxido de cobalto e estanho, considerado tóxico.
Pigmento dos mais caros, é encontado na maioria das tintas artísticas
em sua versão de imitação mais econômica, o "hue".
Pigmentos
Vermelhos
A natureza fornece-nos matérias-primas
tais como flores, madeiras, raízes, sementes, barros, pedras e até
mesmo insetos que proporcionam a fabricação dos pigmentos vermelhos.
O pau-brasil, nome de um tipo de
madeira muito encontrado em nosso país durante sua descoberta e
colonização, é um desses elementos, que também entra na História
do país por acabar levando seu nome.
Mas um dos primeiros pigmentos
vermelhos foi o "Cinnabar", produzido a partir de uma dura
pedra vermelha. O "mínium", ou zarcão, foi largamente
utilizado na era Medieval na ilustração de livros e pinturas em painéis.
Pigmento:
Carmim Alizarina (Alizarin Crimson) PR-83
Resistência a luz: ASTM
"3" - moderado
Pigmento sintético orgânico, universalmente utilizado pelos artistas
desde sua introdução em 1868 a partir do alcatrão de hulha. Possui
como características marcantes a transparência e película levemente
quebradiça. Não é considerado tóxico.
Pigmento:
Vermelho Naftol AS-D - PR 112
Resistência a luz: ASTM
"2" - muito bom
De todos os vermelhos-naftol, como os FG (PR-119), F5RK (PR-170), HF3S
(PR-188), entre outros, o AS-D vem sendo o mais utilizado pela indústria
de tintas para pintura artística nos dias de hoje. Muito comum
encontrar marcas que expõem em seus rótulos "CADMIUM RED HUE",
ou seja, "imitação para o vermelho de cádmio", e
utilizarem o PR-112 no lugar do verdadeiro vermelho de cádmio
(PR-108). Por seu brilho excelente, e sua boa resistência à luz,
relamente ele possui características semelhentes ao verdadeiro
vermelho de cádmio, com a vantagem de ter um custo menor e não ser tóxico.
Pigmento:
Vermelho Óxido - PR-101
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
Também conhecidos como Vermelho de Veneza, Vermelho de Marte,
Vermelho Indiano e Vermelho Inglês, todos são, em verdade, óxido de
ferro, pigmentado, bastante opaco, de baixo custo e grande poder de
cobertura.
Pigmento:
Vermelho de Cádmio Puro (PR-108)
Grau de fugitividade: ASTM
"1" - excelente resistência a luz
O vermelho de cádmio é conhecido também pelo seu elevado grau de
opacidade. Pigmento considerado tóxico, sua fórmula consiste
basicamente de três partes de sulfato de cádmio com duas partes de
seleneto de cádmio. As melhores variedades são livres de bário, mas
a ASTM permite sua utilização em até 15%.
Pigmento:
Vermelho de Cádmio-Bário (PR-122)
Grau de fugitividade: ASTM
"1" - excelente resistência a luz
Equivalente econômico ao PR-108. Semelhante em brilho, opacidade e
resistência al luz. Também conhecido como Vermelho-de-Litopônio-de-Cádmio,
é muito utilizado pelos fabricantes de tintas para variações mais
baratas do Vermelho de Cádmio.
Pigmento:
Vermelho de Quinacridona (PR-122)
Grau de fugitividade: ASTM
"1" - excelente resistência a luz
Também conhecido como magenta de quinacridona Y, trata-se de um
pigmento sintético orgânico, vermelho-azulado, não tóxico e compatível
com a grande maioria dos veículos, como o óleo de linhaça, alquídico,
aquarela, acrílico, guache, têmpera, caseína, encáustica, pastel e
afresco.
Pigmentos
Pretos e Brancos
Estes são a "absorção
total" e "reflexão total" da luz.
Pigmento:
Branco de Titânio - PW-6
Resistência a luz: ASTM -
excelente
Trata-se de um pigmento sintético inorgânico, extremamente opaco e
de maior poder tintorial entre os brancos. Compatível com
praticamente todos os veículos, como o óleo de linhaça, alquídico,
acrílico, aquarela, guache, têmpera, caseína, encáustica, afresco
e pastel. Não é considerado tóxico e também é considerado como dióxido
de titânio.
Pigmento:
Branco
de Chumbo - PW-1
Resistência a luz: ASTM -
excelente
Mistura de carbonato de chumbo e hidróxido de chumbo, portanto um
sintético orgânico. É um dos pigmentos fabricados artificialmente
mais antigos que se tem conhecimento. Pode-se considerar a única cor
a óleo branca utilizada até a metade do século XIX. Possui
propriedades extremamente desejáveis quando triturado em óleo e sua
única - porém considerável - desvantagem é o fato de ser
extremamente tóxico.
Pigmento:
Negro de Marte - PBK-9
Resistência a luz: ASTM
"1" - excelente
Também conhecido como Preto de "Ivory", do inglês,
"marfim" ou negro-de-osso, pois são feitos de ossos
carbonizados, é um dos negros mais utilizados em pintura artística.
Não é recomendável a pintura sobre este pigmento em potência máxima
(puro) pois terá forte tendência a rachar.
Pigmento:
Negro de Marte - PBK-11
Resistência a luz: ASTM -
"1" - excelente
Na veradade, trata-se de um óxido de ferro negro, portanto um sintético
inorgânico. Recomendado para o uso em meio aquoso, normalmente única
opção de negro em grande parte das séries de tintas acrílicas e/ou
aquarelas. Não é considerado tóxico, mas como todos os demais,
aconselha-se a não respirar o pó.
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